segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Blog da Qualidade - Professional da Qualidade 3#

Este é o último post da série que reproduzimos os BRILHANTES artigos publicados no Blog da Qualidade, que falam sobre a importância da cooperação do Profissional da Qualidade e os demais colaboradores em prol da Gestão e Manutenção da Qualidade na organização.
Autora do Post: Monise Carla Bueno



qualidade


Qualidade: A responsabilidade é de todos!

"Diante de toda polêmica do post “A culpa é do Profissional Qualidade!“, resolvi compartilhar o que penso sobre o assunto. Quero começar reafirmando que a culpa pode até ser em partes do profissional da Qualidade, mas como diz o velho ditado “uma andorinha não faz verão”.
A responsabilidade do representante da direção é grande, o mesmo deve assegurar a execução dos processos do sistema de gestão da qualidade além de controla-los e melhora-los. Para isso ele precisa de qualidades como liderança, conhecimento das pessoas e da empresa, boa comunicação, persuasão e negociação, a direção deve dar a ele a autoridade de estabelecer os processos, solicitar melhorias e realizar cobranças sobre essas, para que o mesmo consiga assegurar a conscientização sobre os requisitos do cliente.
Mas mesmo quando esse profissional executa seu trabalho com sucesso, ele precisa da colaboração de todos, todos devem estar comprometidos com as mudanças, melhorias e atendimento aos requisitos. A ISO 9001:2008 tem um requisito inteiro, o requisito 5, que descreve como deve ser o comprometimento da direção, sem esse o profissional da qualidade não irá conseguir fazer nada. O profissional da qualidade documenta os processos, mas o mesmo não é responsável na execução de todos.
ISO 9001: 2015 prevê a retirada do papel representante da direção, acredito que para amenizar essa ideia de que a responsabilidade é de apenas uma pessoa, ou seja, não será obrigatório designar o posto, pois a própria direção em conjunto poderá fazer as funções e assumir as suas responsabilidades.
Para que uma empresa tenha sucesso é preciso trabalhar em equipe, cada um executando a atividade que lhe cabe, se preocupando no impacto que isso tem nas atividades dos outros. A qualidade deve ser compromisso de todos.
Graças a Deus trabalho em uma empresa onde respiramos qualidade, onde a direção e todos os colaboradores são comprometidos. Tiramos certificações como: MPS-BR nível F, ITMarK,MPE e seremos avaliados em Moprosoft e ISO 9001 ainda esse ano, e isso não é culpa somente do profissional da qualidade e sim de um trabalho em equipe com pessoas qualificadas e comprometidas.
E o melhor de tudo é que nossos certificados não ficam somente na parede, aprendemos mais a cada certificação, melhoramos mais nossos processos e a empresa cresce visivelmente."

Blog da Qualidade - Profissional da Qualidade 2#

Este é o segundo artigo reproduzido que originalmente foi postado no Blog da Qualidade, . A autora do artigo é Monise Carla Bueno.
Neste segundo post, falaremos sobre a importância do profissional da qualidade para o amadurecimento de um Sistema de Gestão. Como veremos, todos nós temos um pouco de culpa. Vamos ao post.


culpa-qualidade


A culpa é do profissional da Qualidade!

"No artigo anterior falei um pouco do que penso sobre o posicionamento do profissional da Qualidade para conquistar o comprometimento da equipe. Recebi muitas considerações que expandiram a minha visão em relação ao contexto, mas um desabafo em particular me chamou muita atenção: “É sempre assim, quando não sou o chato, eu sou o culpado!”. Respectivamente, já falamos sobre ser chato, hoje vamos falar sobre ser culpado, mas sem perder o foco da principal função da Qualidade: prevenção.

Quando algo dá errado, a culpa vai ser sempre da Qualidade mesmo?

Culpa não é a palavra! Mas quando o profissional da Qualidade não se sente nem um pouco mal por algo que não está dando certo na organização, eu fico extremamente preocupada. E este algo pode ser qualquer coisa, até aquilo que você pensa que não tem nada ver contigo.
Para existir a Qualidade Total, todas as pessoas da organização precisam se responsabilizar por ela, se não a qualidade não será total, simples assim, mas se for para encontrar alguma culpa em alguém, o culpado sempre será o líder. Isso vem de muito tempo atrás, lá do livro A arte da Guerra do Sun Tzu: “Se as ordens do comando não foram suficientemente claras, se não foram totalmente compreendidas, então a culpa é do general.”

Na época do Sun Tzu, quando se identificava “a culpa do general” a penalidade era a decapitação, e ainda hoje é assim!

Não se assuste, vou explicar. Aqui você já deve estar entendendo que executar suas funções da Qualidade é lindo, mas você também precisa aprender a persuadir e liderar com estratégia, pois toda vez que algo dá errado é porque um líder em algum momento falhou, e quando um líder falha ele mata (ou provoca decapitação) alguma coisa em algum lugar, seja no resultado, no relacionamento e/ou cultura organizacional, nos valores, nos processos, entre outros. E quando falo de líder, digo de todos os líderes existentes na empresa. Detalhe: A Qualidade desempenha um tipo de liderança de assessoria em toda organizaçãoOu seja, pode até não ser culpado, mas também não é tão inocente assim.
Tudo bem, calma, falhar é ruim, mas não é o fim do mundo. Porém se a falha é recorrente, os profissionais da Qualidade devem se atentar em encontrar a causa raiz, e não só sair louco fazendo ações imediatas para manter a ordem. Isso porque acredito que eles tem um papel muito importante em ajudar as pessoas encontrarem significado no que fazem!
Se há muitos atrasos na entrega de ações, qual é a real causa? A equipe não quer fazer por ser descomprometida, ou será que a forma como foi implantado o sistema de gestão não deu um tempo de adaptação da empresa? É um problema de cultura organizacional? Instrução e treinamento? Será que as pessoas acreditam mesmo no que estão fazendo? Será que os outros líderes da organização compraram a ideia?
Para descobrir de fato o que é temos que ver cada desafio como se fosse uma NC, e sabemos que quando identificamos essas causas mais delicadas que exigem mais esforço, tempo, e vão surtir efeito em longo prazo, nós “ignoramos” elas e só pensamos em resolver no imediato: se está atrasado vamos cobrar e penalizar! Então surge o chato do profissional da Qualidade que se esqueceu de cobrar, a culpa ficou nele e o problema ainda existe! Nesse contexto, tratar uma causa raiz de um desafio traria ações para melhoria contínua e não sobrecarregaria o profissional da Qualidade de culpa e atividades.

Por isso a liderança, estratégia, administração, pensamento sistêmico são muito bem vindos para o profissional da Qualidade.

Só pra fechar meu pensamento sobre comprometimento e culpados, quero dizer que não importa de quem seja a culpa, os problemas tem que ser resolvidos, e isso vale pra qualquer pessoa na organização independente do nível hierárquico. Se você não está pronto para enfrentar os desafios dessa forma te dou 2 opções: prepare-se melhor ou escolha outra profissão, pois para ser da Qualidade você precisa ser O CARA, afinal, qualidade não é um ato, é um estilo de vida."

Blog da Qualidade - Professional da Qualidade 1#

Irei reproduzir 2 artigos postados no Blog da Qualidade, que é um blog muito conceituado e respeitado pelos profissionais da Qualidade. A autora do artigo é Monise Carla Bueno.
Estes posts irão apresentar situações em que o profissional da qualidade muitas vezes é criticado e taxado como chato, e ainda falaremos sobre a importância do profisional da qualidade para o amadurecimento de um Sistema de Gestão. Vamos ao post.



Não aguento mais os caras chatos da Qualidade!

"Desculpa pelo título ofensivo amigos profissionais daQualidade, na verdade eu amo vocês, mas essa frase é repetida tantas vezes por aí que eu resolvi fazer isso para chamar a atenção desse pessoal, espero que até o final deste artigo eu te convença que vale a pena indicar a leitura para seus amigos.

Que o pessoal da Qualidade é um bando de chato que fica cobrando as coisas o tempo todo é verdade, mas essa é realmente a função deles?

Não necessariamente. As cobranças feitas pelos profissionais da qualidade são principalmente por causa da falta de comprometimento das pessoas com o sistema de Gestão da Qualidade, e como há um profissional responsável pelo bom funcionamento desse sistema, cai sobre ele a responsabilidade de tentar fazer funcionar, mesmo que isso custe sua imagem perante os colegas de trabalho.

Sim, concordo que toda ação feita em prol da Qualidade Total é válida, mas como conquistar o comprometimento das pessoas com a Qualidade?

Em uma das auditorias da certificação do ITMark na Forlogic, o consultor com um discurso muito direto levantou a questão: qual a função do profissional da Qualidade na organização? E sinceramente, a primeira coisa que me passou na cabeça foi: “Cobrar, ué! Fazer esse negócio funcionar na base de encher o saco dos outros “. Mas você acredita que não é isso? A resposta é: PREVENÇÃO!
Quando se fala de comprometimento, a resposta favorita dos profissionais da área é “A diretoria precisa estar mais ativa nas ações da Qualidade“. E é verdade, eu concordo! Se a maior interessada não se conscientiza é complicado refletir isso para os demais, mas além de ter a diretoria mais ativa dentro da disseminação da Qualidade, o profissional da área deve mudar sua postura em relação ao SGQ, parar de achar que ele tem que ser um policial da Qualidade, que sua função é só abordar, cobrar, corrigir, chatear, “punir” com não conformidades, punir com broncas, auditar severamente os fora-da-lei.
O posicionamento está ligado à melhoria, prever erros, fazer as coisas funcionarem melhor, e como dever de casa a primeira coisa a se fazer é parar de falar: “você tem que fazer isso porque a ISO pede” ou “porque consta na norma”. Comece a dar significado para as atividades, mude a abordagem, deixe clara a necessidade, mostre os resultados, envolva as pessoas, peça opinião, dê dicas! Não haja como quem depende desse monte de gente que não está nem aí para qualidade e trabalhe para encantar as pessoas, venda a Qualidade para as pessoas, e isso não quer dizer para você deixar de ser firme quando preciso, mas significa LIDERAR de fato!
Imagine que você tem um e-mail para escrever para um amigo que não tem nem tanta importância, você vai escrever e mandar, sem delongas. Mas suponhamos que você vai escrever um e-mail para a pessoa que você mais admira profissionalmente, é óbvio que você vai ler, reler, e até pedir para alguém revisar para você. Isso porque o segundo tem significado, tem um motivo claro para você. O profissional da Qualidade tem que ser a pessoa chamada para revisar o e-mail.
A maioria das pessoas se perde no significado real do que estão fazendo, a Qualidade tem por função orientar para esse significado, prevendo erros, resultados negativos de desempenho e projetando um cenário inovador."

Reproduzi a conteúdo publicado no Blog da Qualidade pois me identifiquei com seus posicionamento sobre os assuntos abordados.
O Profissional da Qualidade deve fazer com que a organização como um todo, adote os fundamentos da Qualidade, independente do setor e cargo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

INSPIRAÇÕES E REFERÊNCIAS

Ter inspirações e referências positivas nos faz construir diretrizes que nos guiam para um caminho de sucesso.

Segue abaixo a listagem das minhas referências profissionais;

Abraham Lincoln: referência para Liderança;




René Descartes: referência para o Método de Raciocínio;



Vicente Falconi: inspiração e referência para Gestão Organizacional;




Sherlock Holmes: inspiração para Perspicácia, Raciocínio Dedutivo Lógico e Análise de Dados;



"Dados! Dados! Preciso de dados! Não posso fazer tijolos sem barro!" (As Faias Cor de Cobre - 1891)

A IMPORTÂNCIA DE AÇÕES COMPORTAMENTAIS PARA UM SISTEMA DE GESTÃO

Através de ações comportamentais podemos fazer com que uma organização atinja uma maturidade suficiente para grandes mudanças e melhorias.


Segundo Claudius D’Artagnan, existem duas formas de realizar ações comportamentais:
            - Através da EDUCAÇÃO;
            - Através de TREINAMENTO;

            Educar é fazer com que as pessoas entendam os princípios, conceitos, fundamentos, responsabilidade e a importância do seu trabalho;
            Já Treinar é desenvolver habilidades;

            Sabendo disso, então devemos PRIMEIRO EDUCAR, para posteriormente DESENVOLVER AS HABILIDADES (TREINAR).

            “As pessoas se orientam pelos líderes, não pelo que dizem, mas pelo que eles fazem !!!” (Colin Powers)


Este tema foi abordado no SEMINÁRIO DA QUALIDADE NO SÉCULO XXI, realizado pela ABQ – Academia Brasileira da Qualidade, realizado no dia 13/11/2014, Dia Internacional da Qualidade.
Logo em seguida, iremos publicar um artigo contendo as informações e os demais temas debatidos neste seminário que contou com grandes nomes influentes da Qualidade Brasileira.


INFORMAÇÕES DO AUTOR:



CLAUDIUS D´ARTAGNAN CUNHA BARROS
“A Liderança Estratégica no Contexto da Gestão da Qualidade “

Graduado em Administração de Empresas, Pós Graduado em Administração Empresarial para Executivos e em Gestão de Recursos Humanos, com Especialização em Gestão da Qualidade pela JUSE - Japanese Union of Scientists and Engineers.
Professor do curso de Pós Graduação em Engenharia da Qualidade da Faculdade de Engenharia Química de Lorena/SP - FAENQUIL/USP e Professor convidado do curso de Pós Graduação da Faculdade de Engenharia de Roseira/SP (Universidade Salesiana - UNISAL).

É Autor de vários livros, entre eles: Círculos de Controle da Qualidade, Qualidade & Participação, Sensibilizando para Qualidade, RH – Foco na Modernidade (co-autoria), Excelência em Serviços e ABC da ISO 9000.

Consultor Organizacional há mais de quarenta anos, tendo desenvolvido projetos em empresas de renome, como: IBM, EMBRAER, Banco Itaú, Banco do Brasil, BMW, Bradesco Seguros, Cia HERING, dentre outras.
Mentor do Projeto de Educação Gerencial Continuada - EGECON® (www.egecon.com.br)


A EDUCAÇÃO É FUNDAMENTAL PARA A COMPETITIVIDADE

Construir um país melhor e mais competitivo não é fácil. Porém construir uma potência mundial sem qualidade na educação é IMPOSSÍVEL.

Em recente pesquisa realizada, o CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou nesta quarta-feira (14/01/2015) o resultado comparativo da qualidade do ensino médio do Brasil em relação à outros países.
O baixo desempenho dos estudantes brasileiros em testes como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) levou o País a aparecer em 9º lugar entre 11 nações avaliadas pelo estudo "Competitividade Brasil 2014"
Segue abaixo o ranking:

Posição
País
PIB Mundial*
Canadá
11º
Austrália
12º
Coréia do Sul
15º
Polônia
26º
Espanha
13º
Rússia
Chile
37º
Turquia
17º
Brasil
10º
México
14º
11º
Colômbia
31º
*PIB Mundial conforme FMI (2013)

O Brasil apresenta um PIB maior do que todos os países listados neste ranking de qualidade no ensino médio, mas então como não conseguimos uma posição melhor?
A única explicação plausível, é que não FOCAMOS E INVESTIMOS NA EDUCAÇÃO o suficiente para POTENCIALIZAR ainda mais nossa competitividade.
Nós sabemos que uma país com tamanho do Brasil e com os recursos físicos e energéticos disponíveis no Brasil poderia render muito mais do que está rendendo.

Temos de analisar todos os dados disponíveis do Brasil, transformar estes dados em informações, basear-se nestas informações para formar ações estratégicas à médio-longo prazo e disseminar uma CULTURA DA QUALIDADE.

Nós sabemos do nosso potencial, agora temos apenas de planejar e executar cautelosamente planos para que em um futuro nem tão distante possamos estar em uma posição mais privilegiada em pesquisas de competitividade mundial.

Fonte: Revista Exame
Link: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/brasil-aparece-em-9o-entre-11-nacoes-em-educacao-diz-cni

CARTA PARA BRASÍLIA 3# - Conclusões - Vicente Falconi

Com esta publicação, iremos concluir a série CARTA PARA BRASÍLIA, onde o Consultor Vicente Falconi dá algumas opiniões sobre a Gestão Governamental do nosso país para a Presidente da República, Dilma Rousseff.

Nesta terceira carta, Falconi conclui seu ponto de vista falando sobre a importância de focar ao cliente (cidadãos brasileiros), medir os resultados obtidos em indicadores e gerenciar corrigindo os problemas encontrados.



CONTEÚDO DA CARTA:


"Toda organização humana tem como premissa religiosa que a prioridade é o cliente. Pergunte a qualquer um e se repetirá o mantra: “Nosso foco é o Cliente!”
No entanto, na maioria das vezes, a realidade é bem diferente e os verdadeiros problemas de qualquer organização são a sua incapacidade de satisfazer, de fato, o cidadão, razão e objetivo de sua existência. Isto é verdade para empresas e para o Estado.
É óbvio que a prioridade absoluta do Estado deve ser uma “política orientada para o cidadão” E isso quer dizer, entre outros, boa saúde, boa segurança e boa educação. É também óbvio que, se nossos políticos soubessem e pudessem, eles promoveriam isso, até mesmo por interesse próprio, pois já é muito bem conhecido o fato de que há uma grande insatisfação popular nessa área.
Acontece que a máquina operacional do Estado não consegue responder a esta demanda por motivos já aqui expostos em artigo anterior dessa série. O Estado não consegue responder ao governo!
O que significa “boa educação”, “boa saúde” e “boa segurança”? O que é “boa” para um poder não ser para outro. Precisamos de indicadores simples e transparentes(ainda que imprecisos) que meçam numericamente o desempenho destes sistemas nas esfera municipal, estadual e federal. No caso da educação já temos o Ideb e o Enem, além do Pisa internacional.
A existência desses indicadores é uma vitória e um grande avanço para nosso país. Não interessa se esses indicadores são perfeitos ou imperfeitos ou ainda que possamos, no futuro, melhorá-los. Tudo é sujeito a críticas. O fato importante é que eles existem e estão movendo a máquina operacional da educação pública em seus três níveis, no sentido de melhorias contínuas.
Podemos não estar satisfeitos com a velocidade dessas melhorias na área da educação, mas não se pode negar que elas estão acontecendo e na direção certa.  Não temos a mesma certeza no caso da saúde e da segurança.
Recentemente nossa organização de consultoria investiu recursos próprios para delinear o que seria um “Sistema de Saúde” no Brasil. Vários especialistas, empresários e autoridades foram entrevistados e conseguimos fazer um mapa do Sistema e as interações entre as partes dos subsistemas operacionais de prevenção, correção, regulamentação e atividades privadas desde a indústria farmacêutica, hospitais, laboratórios e seguradoras. Foi um trabalho estressante mas conseguimos visualizar as interações entre as partes do sistema, como fluem as regulamentações, os recursos, os serviços e, principalmente, quais eram as verdadeiras fronteiras do Sistema de Saúde com o cidadão (Cliente!). Tendo em mãos este mapeamento do Sistema de Saúde pode-se então delinear as suas funções e por consequência os seus “Indicadores Principais” e os secundários, a partir dos quais os problemas do Sistema podem ser entendidos, analisados e resolvidos.
Gerenciar é resolver problemas ou atingir metas o que é o mesmo. Onde estão os verdadeiros problemas da saúde, educação e segurança? A resposta é:  junto ao cidadão! Se desejamos resolver os problemas de saúde temos que ir para as funções do Sistema de Saúde e perguntar se estas funções estão sendo cumpridas. O não cumprimento destas funções são as “Disfunções do Sistema” ou “Problemas” e o primeiro ataque deve ser sempre gerencial. Antes que haja uma sequência de esforços para conhecer estas funções, seus indicadores, levantar fatos e dados, entender os problemas, conhecê-los melhor por sua variação geográfica, temporal, tipo e sintomas, analisá-los e, a partir desta análise, estabelecer os Planos de Ação, não se pode falar em “recursos adicionais”. No entanto, o que mais temos ouvido de ministros que assumem este cargo é dizer, logo no primeiro dia, que precisam de dezenas de bilhões de Reais para resolver os “problemas da saúde” que, na verdade, não conhecem na profundidade necessária.
Somente para exemplificar o que seria uma ação gerencial na interface do Sistema de Saúde com o cidadão vou citar o caso dos Hospitais de Emergência. A maioria destes hospitais, senão a sua totalidade, está em crise e não consegue atender às demandas da população. Levantamos algumas informações e verificamos, por exemplo, que o “Tempo Médio de Permanência” do doente nestes hospitais era de 10 a 15 dias. Temos trabalhado com dezenas de hospitais particulares no Brasil e, em geral, o “Tempo Médio de Permanência” nestes hospitais é de 4 dias (em muitos casos menos!). Isto quer dizer o seguinte: uma atuação simplesmente gerencial nos hospitais públicos poderia, ao final de pouco tempo, pelo menos dobrar a capacidade de atendimento do subsistema hospitalar brasileiro sem nenhum investimento. Exemplos como este existem em várias frentes dos Sistemas de Saúde, Educação e Segurança. A solução dos problemas de um Sistema deve sempre começar por suas interfaces com o Cidadão e entrar no Sistema apenas em caso de necessidade. Por exemplo, só vou trabalhar um processo de aquisição de medicamentos se tiver impacto forte nos problemas prioritários que afetam o atendimento final do Cidadão. Da mesma forma, é óbvio que teremos que investir continuamente nos Sistemas de Saúde, Educação e Segurança, mas só poderemos fazer isto, de forma responsável, se for parte de um Plano de Ação decorrente de profunda análise de informações que garantam sua prioridade e seus benefícios à população. O que não podemos é investir em mais hospitais para que também tenham “Tempo Médio de Permanência” de 15 dias. Antes de investir temos que gerenciar!

Os verdadeiros problemas estão na fronteira dos principais Sistemas do Estado com o Cidadão. Os primeiros a atacar estes problemas devem ser as pessoas que ali trabalham. É trabalho para a Maquina Operacional do Estado. Falta domínio de conhecimentos em gestão para que isto aconteça!"
Vicente Falconi, 74, é fundador e presidente do Conselho Falconi Consultores de Resultado. Membro da Academia Brasileira da Qualidade – ABQ. Esta é uma das três cartas sobre a boa gestão endereçadas à presidente da República, publicada em Dezembro no jornal Folha de São Paulo.